PALAVRA DE DEUS

POR: Manuel Venade Martins (Pastor Evangélico)

E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua noiva (mulher), que estava grávida. E aconteceu que estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogénito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia para Ele lugar na estalagem.


E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos, para o Céu, disseram os pastores, uns para os outros: Vamos pois até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura (Lucas 2: 4-7,15-16).

INTRODUÇÃO

Na realidade Natal é o princípio de todas as coisas, isto quer dizer de uma nova era, de um novo livro, melhor dito (livros), de uma nova dispensação, porque a dispensação da lei ia ter o seu cumprimento, dando assim início à da graça. Isaías, o anunciador das Boas-Novas (que é o Evangelho), inspirado pelo Espírito Santo, fala assim: Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz (Isaías 9:6);o profeta do Senhor, conhecido por anunciador Messiânico, que deixou no coração dos antigos Teólogos a questão: Quando isto acontecerá, aonde e a que momentos terá sua execução? Séculos passaram, gerações passaram, até que numa época pouco agradável para o povo Israelita, porque viviam debaixo do domínio e opressão do Império Romano, com o presidente local Herodes. Esperavam que este acontecimento lhes trouxe-se rápida libertação, o que não aconteceu, mas surgirá com a vinda de Cristo, e somente no segundo advento e aparição do Senhor, conforme se lê: E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades (Romanos 11:26). Aí sim, vai acontecer o que eles (Judeus) esperam, e serão totalmente Salvos e libertados da opressão maligna e espiritual, e todo o Israel será salvo.

COMENTÁRIO
JESUS É A PRENDA DE NATAL

Por vezes os governantes nem se apercebem do alcance das suas decisões. O imperador romano queria ter um registo atualizado dos cidadãos do Império, e por isso decretou um recenseamento, ou seja, uma lei que obrigou os chefes de família a deslocarem-se à sua cidade natal para inscrever todos os membros da família no registo do Império. Esta ordem governamental provocou um grande transtorno às famílias porque as obrigou a deixarem as suas casas e os seus trabalhos e viajar, uns para mais perto e outros para mais longe.


No caso de uma família, como a de José e Maria, ela teve de deixar o seu ganha-pão de carpinteiro em Nazaré e, com a esposa grávida, fazer uma viagem de cerca de centena e meia de quilómetros até Belém. O que para uns é uma coincidência, para nós, que acreditamos na soberania de Deus é um evento que Ele prevê e realiza com todo o cuidado e pormenor. Maria e José estavam onde, pela previsão dos profetas do Antigo Testamento, deveriam estar.


Só que Belém não estava a contar com um evento desta grandeza. Quando procuraram alojamento para passar a noite, o único lugar que lhes foi disponibilizado foi o aposento dos animais. A sério? Mesmo! E José e Maria aceitaram e foi ali mesmo que Jesus, o primogénito de Maria, o Único Filho de Deus, nasceu e foi colocado, envolto em panos na manjedoura (a caixa onde se põe a palha para os animais comerem). É tremendo pensar que Jesus Se dispôs a vir ao nosso encontro em condições tão humildes. Quantas vezes nós reclamamos porque não temos o conforto como gostaríamos, e Jesus, sendo Quem era, esteve disposto a nascer, crescer e viver com estas e muitas outras limitações. Mas isso não O impediu de viver a vida em pleno e cumprir o grande propósito para o qual Ele veio, ser o nosso Salvador.


Entretanto, naquela que para muitos era uma noite igual a outras, pastores estavam nos campos ao redor de Belém a guardar os rebanhos que lhes tinham sido confiados e, depois de um longo dia de trabalho, aproveitavam para conversar e, quem sabe, imaginar como teria andado por ali perto o grande rei David quando, na sua infância tinha guardado as ovelhas de Jessé, o seu pai. Provavelmente recordavam as histórias que tinham aprendido em pequenos sobre esse menino que o profeta Samuel tinha vindo ungir como o futuro rei de Israel, mas que a família nem sequer tinha convidado para vir almoçar com tão ilustre visitante. Só quando o profeta perguntou se Jessé tinha mais algum filho é que se lembraram de mandar chamar o pequeno David para vir ter com a família. Que surpresas tiveram quando perceberam que a razão da visita de Samuel foi para, de entre os vários filhos de Jessé, escolher o menos provável para se vir a tornar o futuro rei da nação.


Que surpresas tiveram, também, aqueles pastores que, naquela noite, como todas as outras receberam, da parte de anjos enviados por Deus, a notícia de que aquela noite não era, afinal, igual às outras, mas era a noite que marcava o início da mudança no mundo. O Salvador tinha acabado de nascer, ali perto, e eles foram escolhidos para O ir conhecer. Que maravilha! Eles, a quem tantos desprezavam, foram escolhidos pelo próprio Deus para serem os primeiros a saber que o Cristo, o tão esperado descendente de David, tinha acabado de chegar e estava ali tão perto. E, os pastores, apesar de terem sido surpreendidos com uma notícia tão fora do comum e inesperada, não ficaram ali parados mas foram até Belém e confirmaram que as palavras do anjo que lhes tinha aparecido eram mesmo verdade.


Ainda hoje Deus escolhe pessoas improváveis, como David e os pastores de Belém. E também escolhe pessoas como José e Maria que não estavam à espera de serem escolhidas por Deus para O servir de uma maneira tão importante e especial. Ainda hoje Deus escolhe pessoas como eles e como nós, para fazerem coisas importantes para Ele e para conhecerem mais acerca dos Seus planos. Alguns de nós até podemos pensar que não merecemos o que Deus tem para nos dar e que não temos o direito de sermos usados por Ele para realizarmos os Seus projetos. E temos razão. Isto não tem a ver com o nosso mérito nem com a nossa capacidade natural. Tem a ver com a graça de Deus e com a nossa disponibilidade em ouvirmos a Sua voz e nos disponibilizamos em fazer a Sua vontade.


Neste Natal, não podemos esquecer-nos do grande presente de Deus para a Humanidade: Jesus, o Seu Filho que veio para nos salvar dos nossos pecado. E, neste Natal que a nossa vida seja como um presente que damos a Deus para O servir e para Ele usar para Sua glória e bênção daqueles que estão à nossa volta



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